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Novas DEPs ajudarão Brasil a romper fronteiras com a pecuária de cria

Rebanho Nelore caminhando no pasto verde

O programa Qualitas Melhoramento Genético tem novidades entre as sua DEPs – parto precoce e stayability super precoce. E o médico veterinário e especialista em pecuária de corte, Leonardo Souza, sócio-diretor do Qualitas , falou sobre suas características e qual seu contexto dentro da pecuária.

“Depois de 20 anos de programa de melhoramento genético, queríamos quantificar como foi a evolução genética em termos de precocidade sexual e fertilidade do rebanho participantes do Qualitas. Esse foi o principal motivo de incluir essas novas avaliações genéticas dentro do programa”, justificou.

O veterinário disse que o programa que, há dez anos, começou a prestar atenção no desempenho das novilhas precoces quando desafiadas. A situação comprovou que havia variabilidade genética no Nelore para fazer a seleção com este ponto de partida.

“A partir da safra 2011, as primeiras novilhas foram expostas aos 14 meses e, desde o início, o índice de fertilidade das primeiras fazendas foi muito elevado, chegando a até 80% de prenhez. Isso mostrou que tínhamos uma base, com genética muito forte em termos de fertilidade. E precisávamos quantificar quanto realmente evoluiu nesse período. E o interessante é que, dez anos após o início da prenhez aos 14 meses dentro do programa, a evolução é espetacular. E é uma característica que tem um impacto monstruoso no resultado da atividade de cria. Então, é extremamente importante identificar, inclusive, os touros que são os melhoradores para precocidade sexual e que vão também produzir as fêmeas mais lucrativas no rebanho quando a gente fala de stayability super precoce e parto precoce”, afirmou.

O veterinário destacou que os produtores que já têm a característica consolidada em seus rebanhos, servem como referência para a pecuária média brasileira buscar novos patamares. “O que os criadores espetaculares com esse elevado desempenho mostram, e eu acho que eles são pioneiros, é um norte para o País, onde o  Brasil pode chegar em termos de seleção, de produção e de produtividade com o Nelore. Eu acho que o mais importante é ter essa referência de possibilidade, coisas que a gente acha que são impossíveis, mas na verdade é uma questão de querer fazer e fazer bem feito”, disse em sua entrevista.

Souza falou, então, por que selecionar rebanhos para estas características é relevante para a atividade. “Até uma fêmea que nasce na fazenda gerar o primeiro bezerro, basicamente, ela só gera custo. Então toda a pastagem, toda a nutrição, a suplementação, os cuidados sanitários que você despende com essas fêmeas, só darão um retorno para o criador a partir do momento em que ela começa a produzir um bezerro. E o mais interessante é que, infelizmente, ela não consegue se pagar somente com a primeira cria. […] Com os preços de R$ 3.000,00 do bezerro, a gente consegue fazer com que ela se pague em duas crias. Mas se esse bezerro cai de preço, por volta dos R$ 2.000,00, que era a realidade há dois anos, só a partir da terceira cria é que essa fêmea começa a deixar lucro. Então, o sistema de produção tem que ser visto de uma maneira mais abrangente para que se perceba a importância de se emprenhar uma fêmea mais cedo”, projetou.

“E por que a tecnologia vale a pena, apesar da dificuldade? Porque, segundo o levantamento do nosso amigo Antonio Chaker, do Inttegra, […] a adoção da prenhez precoce aumenta em até 38% o faturamento do rebanho de cria e isso se reflete em 21% a mais de lucro por hectare. Então é algo que não pode ser desprezado no negócio”, acrescentou.

POR ONDE COMEÇAR?

O veterinário contou que a seleção de um rebanho com fêmeas de parto precoce começa com uma matéria prima de qualidade, ou seja, com o nascimento de bezerros do cedo. “Em sua maioria, os animais melhores geneticamente, inclusive, já nascem bons. E nascer bom já é nascer na melhor época. Então, a fêmea que tem grande chance de ser uma fêmea produtiva e lucrativa é a que nasce mais cedo. Ou seja, todo mundo sabe que a bezerra que nasce no cedo, o bezerro do cedo, dos meses de agosto e setembro, principalmente, são animais que vão ter vantagens ao longo da vida, em termos de clima e de nutrição naturais, que vão permitir que eles tenham um desempenho maior do que os animais que nascem no tarde”, explicou.

Além de serem superiores em desempenho em relação à safra contemporânea, os bezerros do cedo também são mais valorizados. “E por que são mais caros? Porque são bezerros que, no momento da desmama, vão estar mais pesados. A bezerra que emprenha com 14 meses, desmama um bezerro mais pesado também. E como você faz um bezerro desmamar mais pesado? Ela nasce na melhor época. Então, o momento do nascimento da bezerra já é um passo. Em seguida, você tem que proporcionar para ela uma nutrição que viabilize que ela esteja com 300 kg para emprenhar. Esse é o segundo passo. Com 14 meses, ela deve estar com 300 kg. De que maneira eu consigo chegar a 300 kg? Primeiramente, com sistema de nutrição adequado, uma suplementação de qualidade, um pasto de qualidade e, eventualmente, uma recria intensiva no cocho, que já é muito utilizada hoje para bezerro, uma tecnologia bastante adotada, além de continuar cuidando bem dessa fêmea. Você quer que ela tenha um bezerro com dois anos de idade e quando ela estiver parida, ela tem que emprenhar novamente. Então, com uma nutrição adequada, você vai ter altos índices de prenhez na primeira estação de monta, quando novilha e altos índices de prenhez, também na segunda estação de monta, quando você está cuidando bem dela e ela vai desmamar um bezerro de qualidade e emprenhar novamente. Esse é o grande desafio”, completou.

Souza sustentou ainda a importância de escolher bem o acasalamento para essas novilhas precocinhas. “O que geralmente é recomendável para fêmeas precoces é inseminação – e principalmente inseminação com touros que tenham avaliação genética para DEP de nascimento negativa. O que significa isso? Esses touros, comprovadamente, produzem bezerros que nascem mais leves e que, depois, têm um alto desempenho após o nascimento. Então, deve-se identificar e usar somente touros provados para isso. Essa vai ser a garantia de ter um bezerro nascendo tranquilamente, uma novilha com um parto tranquilo, que vai conseguir emprenhar novamente também”, projetou.

O veterinário reforçou que inseminar essas novilhas de parto precoce é uma alternativa melhor do que o uso de touros, sobretudo os que não são provados para características de parto fácil. “Um grande desafio hoje para o Nelore é justamente identificar touros que produzam um bezerro de baixo peso ao nascimento, mas que tenham um bom peso à desmama e um excelente ganho pós-desmama. Muitos criadores, eventualmente, iniciam o processo de prenhez precoce nas novilhas, mas por causa dos problemas de parto, partos distócicos que podem ocorrer, eles acabam abandonando a tecnologia, porque não estão utilizando todas as ferramentas e todos os critérios para adotá-la corretamente. Então […] não é fácil fazer, mas hoje temos a tecnologia disponível e resultados espetaculares dentro do Qualitas”, estimulou.

Além de selecionar para o parto precoce, o veterinário falou também sobre a característica de stayability super precoce. “O que nós entendemos? Que quanto mais rápido essa fêmea atingir os três bezerros desmamados na fazenda, mais rápido ela se paga. Então, identificar a genética, os reprodutores e as matrizes que atingem isso mais rápido, vai trazer mais lucro para o criador. Na stayability, geralmente são fêmeas de seis anos com três crias. E não concordamos: porque, se queremos que ela deixe mais rápido um bezerro, precisamos de uma fêmea, na verdade, que com quatro anos já pariu três bezerros, por uma questão econômica. Então, percebemos que se, realmente quisermos ganhar mais dinheiro na atividade, temos que desafiar o nosso rebanho, fazer um trabalho sério também de manejo, de spot nutricional para poder desafiar esses animais a tornarem a fazenda mais lucrativa”, apontou.

Segundo Leonardo, a seleção de matrizes mais precoces e com capacidades para retornar o seu custo o quanto antes para o criador é a fronteira que se aproxima no horizonte da pecuária brasileira. “A cria é a próxima fronteira em termos de evolução. Nós temos na recria e na engorda, como foi exibido hoje, a suplementação, tanto com proteinado energético quanto com a ração dando retornos econômicos muito expressivos. Mas, agora, o que a gente precisa é caminhar justamente para turbinar a cria. A cria é onde está a nova fronteira de desenvolvimento e é onde o Brasil tem o maior espaço para evoluir. Eu acho que com a prenhez precoce, com a stayability superprecoce, conseguiríamos produzir o dobro com a mesma quantidade de gado que a gente tem no Brasil. Isso é fato”, estimou o especialista.

Fonte: Giro do Boi

Data: 12/07/2021



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