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Por Hyberville Neto e Rafael Ribeiro - Scot Consultoria


CLIMA: PREVISÕES PARA O INÍCIO DO PERÍODO CHUVOSO E IMPACTOS NAS PASTAGENS E NA SAFRA DE GRÃOS 2021/22

Outubro e novembro marcam a retomadas das chuvas no Brasil Central e Centro-Sul do país. Confira nesse artigo as previsões climáticas para o último trimestre e considerações sobre a safra de grãos e recuperação das pastagens

  • Desempenho da semeadura da safra brasileira de grãos
  • Situação das chuvas no país
  • Previsões para o último trimestre de 2021
  • Considerações sobre a safra brasileira de grãos


DESEMPENHO DA SEMEADURA DA SAFRA BRASILEIRA DE GRÃOS

A semeadura da safra brasileira de grãos (2021/22) teve início em setembro.

No Paraná, segundo informações do Departamento de Agricultura Rural (Deral), até o dia 19/9, 45% da área prevista com milho de verão (primeira safra) foi semeada. Com relação à soja, 3% da área prevista com a cultura foi plantada até o momento no estado.

Em Mato Grosso, 0,28% da área prevista com a cultura foi semeada, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Com volumes de chuvas abaixo da média em grande parte do Brasil Central e da região Sudeste, o clima segue no radar de monitoramento, já que os impactos são diretos na janela de plantio e no ritmo da semeadura da safra de grãos que está começando (2021/22), bem como na velocidade de recuperação das condições das pastagens no país.


SITUAÇÃO DAS CHUVAS NO PAÍS

Até o dia 23 de setembro, choveu em maiores volumes no extremo Norte do Brasil e na região Sul do país. Como comparação, em alguns municípios no Rio Grande do Sul, a precipitação chegou a 200 milímetros no acumulado do mês.

Destacamos a situação mais complicada de chuvas no Paraná, com maior concentração no Sul do estado (100-150mm). No Oeste e Norte, os volumes acumulados ficaram entre 25 e 50 milímetros no período analisado.

Já no Brasil Central e nas regiões Nordeste e Sudeste, as chuvas foram mais pontuais, em menores volumes e mal distribuídas em setembro. Nessas regiões, os volumes ficaram entre 25 e 50 milímetros, sendo que em algumas localidades não chove há 40-50 dias.

Nesses casos, os déficits de chuvas variam de 25 a 100 milímetros em relação à média histórica para o período em questão.

Na figura 1, observe o volume de chuvas no acumulado de setembro (até o dia 24) e os desvios (anomalias) de precipitação em relação à média histórica no Brasil.


 2 Mapas meteorológicos de comparação do Volume total de chuvas no Brasil em setembro/21, de coloração vermelho alaranjada, e desvios (anomalias) de chuvas frente à média histórica do período, em milímetros, de colocação azul alaranjada.

Figura 1. Volume total de chuvas no Brasil em setembro/21 (até o dia 24) e desvios (anomalias) de chuvas frente à média histórica do período, em milímetros.


PREVISÕES PARA O ÚLTIMO TRIMESTRE DE 2021

Para outubro/21, a previsão é de que a situação de chuvas melhore no Norte do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, entre outros estados, com as precipitações dentro da normalidade e, em alguns municípios, com volumes até 10-50 milímetros acima da média histórica do período.

Por outro lado, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as chuvas deverão ficar abaixo da média no próximo mês.

Para novembro/21, o cenário ainda é de atenção nos estados do Sul do país, onde os volumes de chuvas deverão seguir abaixo da média histórica para o mês, com déficits de até 50 milímetros, em relação à Normal Climatológica (média histórica).

Por outro lado, a situação deverá ser de precipitações dentro da normalidade a volumes maiores que a média histórica para o período em grande parte do Centro-Oeste e Sudeste brasileiros, o que deverá favorecer o avanço do plantio da safra de grãos e a melhoria das condições das pastagens nestas regiões.

Em dezembro/21 são esperadas chuvas em maiores volumes no Norte do país, além de Mato Grosso, São Paulo, Sul de Minas Gerais, região do Triângulo Mineiro e Norte/Noroeste do Paraná.

Entretanto, no Rio Grande do Sul (com exceção do Norte/Noroeste do estado), Leste de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Sul e Oeste da Bahia, a previsão é de chuvas abaixo da média no último mês de 2021.

Veja na Figura 2, as previsões de chuvas no Brasil para outubro, novembro e dezembro de 2021.


Mapas meteorológicos de previsões de anomalias de chuvas em outubro, novembro e dezembro de 2021, em milímetros, cujas colorações são azul acinzentadas distribuídas por todos os estados do Brasil, e amarelo claro, mais concentrado nas regiões sul, dentro oeste e de Minas Gerais.

Figura 2. Previsões de anomalias de chuvas em outubro, novembro e dezembro de 2021, em milímetros.


CONSIDERAÇÕES SOBRE A SAFRA BRASILEIRA DE GRÃOS

O clima e a evolução do plantio da safra brasileira de grãos 2021/22 serão fatores determinantes para as produtividades das lavouras e, consequentemente, a precificação dos grãos na próxima temporada.

As expectativas iniciais apontam para crescimento nas áreas de soja e milho de segunda safra, na temporada que está começando no país (2021/22), mas um bom rendimento das lavouras será fundamental para a consolidação do aumento na produção, que é um fator que pode tirar a sustentação dos preços do milho e da soja no mercado brasileiro em 2022.

No mais, como citado, o clima influencia na velocidade de recuperação das condições das pastagens e, consequentemente, na estação de monta deste ano e disponibilidade de boi de safra nos primeiros meses do ano que vem.

Apesar dos atrasos nas chuvas em algumas regiões do país, a princípio,  as expectativas com relação ao clima são mais positivas para 2022, frente ao cenário verificado em 2021.


Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista, msc.

Scot Consultoria


 EM-BR-21-0143

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