Mercado

Por Hyberville Neto e Rafael Ribeiro - Scot Consultoria


MERCADO DO BOI GORDO: REPOSIÇÃO EM 2021 E EXPECTATIVAS PARA 2022

Bois nelore no cocho.

Apesar do solavanco de preços com a suspensão das vendas à China, o mercado do boi gordo tem se recuperado e há pontos positivos para o cenário em 2022, ainda que a oferta de boiadas deva ser sutilmente maior.

  • O mercado do boi gordo e reposição em 2021
  • Expectativas para 2022


Quando desenhamos um cenário ou elaboramos projeções, tentamos traçar paralelos com outras épocas ou momentos do mercado e isso, sem dúvida, tem seu valor. 

Episódios como a vaca louca atípica do início de setembro servem para nos lembrar que o mercado pode sempre surpreender e, muitas vezes, o faz.

Quanto mais o pecuarista tiver consciência de que preços futuros não são garantia de receita se não forem efetivamente travados, mais ele trabalhará com os pés no chão. 

Dentro de um sistema de pecuária, trabalhar com os pés no chão é focar em aprimorar a parte produtiva dentro da fazenda, sempre pensando na otimização de custos e produtividade. Um sistema mais eficiente consegue viabilizar a compra de uma reposição mais cara ou ter resultado com preços menos atrativos de venda. 

Em outras palavras, um sistema eficiente tem mais “gordura” para aguentar as variações de preços e custos, cujo controle não está em suas mãos. 

Dito isso, apresentamos aqui um resumo do que ocorreu este ano e traçaremos algumas expectativas para 2022. 


O MERCADO DO BOI GORDO E REPOSIÇÃO EM 2021

Após dois anos de altas fortes e em meio à pandemia, o ano começou com incertezas quanto à possibilidade de manutenção dos patamares elevados de preços.

Havia a dúvida quanto à demanda chinesa, que tem sido muito importante para o fôlego da arroba nos últimos anos. O país asiático teve redução importante da oferta de carne suína nos últimos anos, em decorrência do surto de peste suína africana na região, iniciado em 2018. 

De toda forma, para 2021, as projeções apontavam para um cenário de maior disponibilidade de carne suína e, consequentemente, pairavam dúvidas quanto ao ritmo dos embarques das diversas proteínas para o país. 

Do lado da oferta, com o cenário de forte retenção de fêmeas, estimulado pela atratividade da cria, a venda de gado terminado foi ainda menor do que a já minguada disponibilidade de 2020. A figura 1 mostra a evolução da participação de fêmeas nos abates de bovinos nos primeiros semestres.


Figura 1.

Participação de fêmeas nos abates de bovinos nos primeiros semestres.


Imagem de gráfico em barras representando a oscilação de participação de fêmeas nos abates de bovinos nos primeiros semestres dos anos de 2004 a 2021.

Fonte: IBGE / Elaboração: Scot Consultoria


Com a oferta reduzida pelo cenário de retenção de fêmeas, somada às exportações em bom ritmo, o mercado trabalhou firme na maior parte do ano. 

Em setembro, no entanto, a confirmação de dois casos de vaca louca atípica e as suspensões dos embarques à China, que se prolongaram por meses, derrubaram as cotações, com redução de abates nos frigoríficos e gado oriundo de confinamento precisando ser vendido. 

A queda dos preços do boi gordo ampliou a margem de comercialização da indústria, o que aumentou a demanda por boiadas. Paralelamente, a oferta de gado confinado diminuiu a partir do início de novembro e a associação dessas variáveis resultou em um movimento explosivo de preços para o boi gordo, que recuperou as quedas observadas. 

Na manhã de 23 de novembro, a China liberou a entrada da carne brasileira, que foi certificada antes de 4 de setembro, o que tirou um problema do radar, que seria a destinação das mais de 100 mil toneladas (números aproximados, com base nos dados de exportação de setembro) que tinham sido enviadas após a suspensão, mas com certificação prévia.

Como resumo dos preços no ano, na média, até meados de novembro, o preço do boi gordo em São Paulo ficou 33,2% acima do observado em 2020, considerando valores nominais. Boi magro e bezerro de ano tiveram altas de 29,4% e 34,3%, respectivamente, na mesma comparação.  

Fêmeas Nelore no campo.


EXPECTATIVAS PARA 2022

Alongando um pouco a análise, para 2022 esperamos que a oferta de gado comece a melhorar, como resultado da retenção de fêmeas observada desde 2019. 

Cabe o destaque de que não esperamos um acréscimo forte, mas um início da recuperação, lembrando que estamos em patamar de abates historicamente baixo. Considerando os dados fechados do primeiro semestre de 2021, os abates somaram 13,64 milhões de cabeças, os menores desde 2009.

Quanto à demanda doméstica, o cenário de inflação e desemprego ainda altos limitam o otimismo, mas, frente ao período crítico dos últimos anos, esperamos melhoria das vendas. 

No mercado externo, as projeções são de que a China aumente as suas compras de carne bovina, considerando todos os clientes. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a expectativa é de que o país aumente em 8,3% o volume comprado, frente a 2021. 

No mercado internacional, as incertezas de um ano eleitoral acabam colaborando com as exportações via câmbio, por valorizarem o dólar em relação ao real. 

Em resumo, o próximo ano deve ser de escoamento melhor, com alguma melhoria da oferta de gado. Possivelmente, essa melhoria da disponibilidade de categorias mais jovens ajude na relação de troca, para quem compra reposição.

Deve ser mais um ano de preços interessantes para a venda, mas talvez sem altas fortes na média do ano. 

Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

Scot Consultoria


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