Mercado

Por Consultores do Mercado Pecuário e de Insumos – Scot Consultoria


Desempenho do mercado do boi gordo e exportação no início de 2022

Dois animais no pasto, atrás de uma cerca de arames liso. Ao fundo, pasto verde e bois pastando.

Bebedouro, 2 de fevereiro de 2021, quarta-feira.

Artigo para a Elanco – fevereiro/2021


A expectativa é de oferta mais enxuta de animais terminados do que ocorre sazonalmente no primeiro trimestre, como veremos pela análise do cenário e expectativas abaixo:

  • Mercado do boi gordo firme em 2021
  • Exportação de carne bovina afetada pela EEB, mas com bom desempenho
  • Cenário no início de 2022
  • Expectativas no curto prazo 
  • Expectativas para o ano


MERCADO DO BOI GORDO FIRME EM 2021

Caracterizado como um ano de retenção de fêmeas e de cenário econômico conturbado em decorrência da pandemia, o mercado do boi gordo trabalhou com preços firmes ao longo de 2021, mesmo após um ano de altas expressivas, como 2020.

Foram abatidas 20,6 milhões de cabeças até o terceiro trimestre de 2021 (IBGE), um recuo de 8% comparado ao ano anterior, especialmente em função da queda nos abates de vacas e novilhas gordas, o que representa o menor nível de patamar dos últimos 10 anos.

Com a redução da oferta de gado terminado e a forte concorrência entre as indústrias compradoras, a cotação do boi gordo disparou. A variação entre os preços mínimos e máximos ao longo do ano atingiu 23,0% na praça paulista (figura 1).


Figura 1. Cotação do boi gordo, em reais por arroba, preço bruto e à vista, em São Paulo, em 2021.

Gráfico de linha representando a cotação do boi gordo em reais por arroba. 

Fonte: Scot Consultoria

A concorrência pela matéria-prima se deu principalmente pela demanda para a exportação, já que o consumo no mercado interno seguiu a toada de 2020: fragilizado pela economia fraca.

O “vale” observado na Figura 1, em meados de setembro e outubro, quando a arroba atingiu a mínima de R$256,00 em São Paulo, após a suspensão das exportações de carne bovina à China em virtude da confirmação de dois casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), o “mal da vaca louca”, revela que o mercado interno não estava apto a absorver a carne bovina produzida nos patamares de preços acima dos R$300,00/@ e a concorrer com a exportação.


EXPORTAÇÃO DE CARNE BOVINA AFETADA PELA EEB, MAS COM BOM DESEMPENHO

Com relação à exportação de proteína animal, 2021 foi um ano glorioso para o Brasil: o país ocupou o primeiro lugar como exportador de carne bovina e de aves e, o quarto lugar, no que se refere à carne suína, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Sobre a exportação de carne bovina, o câmbio firme e a demanda chinesa favoreceram o mercado, mesmo com as suspensões dos embarques no último trimestre de 2021.

O Brasil exportou 1,56 milhão de toneladas de carne bovina, com faturamento de US$7,97 bilhões. O volume foi 9,5% menor, comparado ao ano anterior, em grande parte pela suspensão das exportações. Ainda assim, foi o terceiro melhor ano em relação ao volume exportado.

Os principais clientes foram China, Hong Kong, Chile, EUA, Egito, dentre outros.

Ainda sob os efeitos da peste suína africana, a China importou globalmente 2,9 milhões de toneladas de carne bovina (USDA), sendo que, desse total, 43,9% foram supridas pelo mercado brasileiro.

O mercado chinês respondeu por 49% do faturamento brasileiro, com os embarques auxiliando na manutenção da margem das indústrias, frente ao cenário de escoamento baixo no mercado interno.


CENÁRIO NO INÍCIO DE 2022

Os embarques à China foram retomados em 15 de dezembro. Assim, na virada do ano, logo na primeira semana de janeiro, os preços do boi gordo dispararam, com o maior ímpeto dos frigoríficos nas compras para suprir a demanda de exportação atrelada à menor oferta de animais para abate.

Já na segunda quinzena, as escalas de abate confortáveis e o escoamento baixo, típicos do período do ano, mas ainda com a oferta enxuta, equilibraram os preços.

Ainda não foi observado, em janeiro, um aumento geral da disponibilidade de gado terminado, já que as chuvas em excesso em algumas regiões e em falta, em outras, impactou na qualidade das pastagens.

A cotação do boi gordo recuou em algumas praças, principalmente naquelas em que a pecuária a pasto e os negócios voltados ao mercado interno dominam, mas os preços seguiram firmes nas regiões em que há indústrias exportadoras.

Na entrada de fevereiro, os preços ficaram mais frouxos com a menor movimentação das compras chinesas, em virtude do feriado nacional de Ano Novo, quem tem início em 1 de fevereiro e da diminuição das compras para abastecer o mercado interno.

Sobre as exportações, o Brasil embarcou 140,5 mil toneladas de carne bovina em janeiro, um recorde para o mês em questão, em grande parte pela demanda chinesa.


EXPECTATIVAS NO CURTO PRAZO 

Para fevereiro e março, a oferta de gado terminado deve melhorar, com o fim da estação de monta e maior disponibilidade de fêmeas para abate, o que pode pressionar os preços no mercado do boi gordo. Mas, os reflexos de um ano desafiador, como 2021, a disponibilidade limitada de forragem e o custo de produção em alta podem reduzir a saída de animais terminados.

bovinos da raça Angus se alimentando no cocho em um confinamento.


O consumo de carne bovina pode melhorar em fevereiro/março comparado a janeiro, inclusive com o pagamento do Auxílio Brasil, porém, o cenário econômico deve seguir sem perspectiva de mudanças, com as atenções voltadas à disseminação da variante Ômicron da Covid-19, que pode impor novas medidas de restrições sanitárias.

As exportações à China devem seguir mais tímidas na primeira quinzena de fevereiro, em virtude do feriado, mas, após esse período, espera-se que os volumes embarcados sigam firmes.

Março é tipicamente um mês de bom desempenho das exportações, o que, somado à expectativa de oferta enxuta de gado terminado, pode dar firmeza aos preços do boi gordo.


EXPECTATIVAS PARA O ANO

No mercado doméstico, a demanda deverá ser firme, apesar dos indicadores de crescimento comedidos como, por exemplo, o PIB.

Ano de eleições e o cenário internacional podem manter o dólar em patamares acima dos R$5,50 e favorecer as exportações.

É possível, ainda, que observemos um cenário de oferta crescente de animais de reposição e fêmeas para abate. Como é esperada uma demanda externa boa e um escoamento doméstico em crescimento, não são esperados preços menores ao longo do ano, comparados a 2021.

Segundo o USDA, o Brasil deve aumentar sua exportação de carne bovina em 15,5% frente ao ano passado.

Com relação à China, ainda segundo o USDA, o incremento na importação deve ser de 10,1%, lembrando que entre 2019 e 2021, o crescimento foi de 37,8%, ou seja, um aumento sobre um nível já elevado de compras.

A retomada do plantel suíno chinês deverá ser acompanhada, além do aumento das importações de carne bovina norte-americana. Entretanto, a presença de novos casos de PSA em outras regiões do mundo abre espaço para o mercado brasileiro alcançar novos clientes.


Sophia Honigmann – médica-veterinária

Scot Consultoria


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