Mercado

Por Hyberville Neto e Rafael Ribeiro - Scot Consultoria


Alta nos preços dos bovinos para reposição. Destaque para o bezerro!  

 Rafael Ribeiro de Lima Filho |  Scot Consultoria 

Olá, este é o primeiro artigo fruto da parceria entre a Scot Consultoria e a Elanco para levar informações e expectativas sobre o mercado do boi e a cadeia pecuária para o Brasil e para o mundo. 

 Com isso, esperamos colaborar com as estratégias e o planejamento dos agentes envolvidos na atividade. 

 E para começar, abordaremos a situação atual e as expectativas para o mercado de bovinos para reposição no país, dando um enfoque na fase de cria e na atratividade nos últimos anos. 

 

Veterinária observando pastoreio do rebanho de cria

Preços mais que dobraram 

 Segundo levantamento da Scot Consultoria, de janeiro de 2018 a junho deste ano, o preço do boi magro subiu 114,1%, o do garrote, 130,3%, enquanto as cotações dos bezerros de ano e desmama tiveram alta de 139,1% e 140,0%, respectivamente. 

 Veja na figura 1 a evolução das variações nos preços médios das categorias de animais para reposição em São Paulo, considerando como base 100 o ano de 2016. Observe que as cotações começaram a subir a partir de 2018, com o movimento de alta ganhando força em 2019.  

 Figura 1. 

Variação nos preços de bovinos para reposição em São Paulo. Base 100=janeiro de 2016. 

Gráfico de variação nos preços de bovinos para reposição em São Paulo

 Fonte: Scot Consultoria 

 Para explicar esse cenário de alta nos preços dos animais de reposição e do boi gordo, apresentaremos rapidamente o ciclo pecuário

 Primeiro, os preços da arroba do boi gordo em queda entre meados de 2015 e 2017 levaram a um aumento na participação de fêmeas nos abates nesses anos. Isso acontece devido ao pecuarista aumentar o giro na fazenda (aumentando o descarte de fêmeas) para fazer caixa na fase de baixa dos preços. Esse aumento no abate de fêmeas, por sua vez, refletiu em queda na oferta de bezerros nos anos seguintes e, consequentemente, altas nos preços dos animais menos erados. A menor oferta de animais de reposição impactou na oferta de boi gordo e produção de carne, puxando para cima os preços da arroba do animal terminado também. 

 Além da oferta mais escassa de animais nos últimos anos no país, destacamos a demanda firme por carne bovina para exportação, em especial para atender as importações chinesas, o que colaborou com as fortes altas nos preços do boi gordo e reposição no mercado brasileiro. 


Situação atual 

 Em 2021, o mercado do boi gordo e reposição praticamente não sentiu os efeitos da safra no primeiro semestre, com as cotações firmes e em alta em um período em que sazonalmente há maior pressão de baixa, devido à maior oferta de animais (maior oferta de capim).  

 O mercado só veio a ceder em maio, com o tempo mais seco e perda de qualidade do capim, que acaba forçando o pecuarista a vender o gado terminado, bem como diminui o poder de barganha do criador e recriador. Veja a figura 2. 

Figura 2. 

Evolução dos preços do boi gordo, em R$/@, no eixo da direita, e do bezerro desmama e boi magro, em R$ por cabeça, no eixo da esquerda, em São Paulo. 

Gráfico de evolução do preço do boi gordo

 Fonte: Scot Consultoria 

 As altas nos preços em plena safra ocorreram porque, além da oferta menor de animais para reposição e bovinos terminados, tem sido verificada uma maior retenção de fêmeas no rebanho para a produção de bezerros, devido a boa atratividade da cria

 Ou seja, aquelas fêmeas que normalmente seriam descartadas para o abate em março, após a estação de monta, têm sido retidas no rebanho como matrizes, impactando em uma menor oferta de fêmeas para o abate. 

 Esse movimento de retenção vem ocorrendo desde 2020 no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de vacas abatidas no Brasil no ano passado diminuiu 19,6% em relação a 2019 e, para as novilhas, houve queda de 13,7% no mesmo período.  

 Os dados consolidados de abates de bovinos no primeiro trimestre de 2021 serão divulgados no final de junho/21, portanto, após a elaboração deste artigo. Mas a expectativa é de que queda na participação das fêmeas em relação ao abate total. 


Expectativas  

 Depois da pressão de baixa verificada sobre os preços em maio, com as pastagens secando e a “desova” dos animais de safra, o mercado firmou e tanto as cotações do boi gordo como as dos animais de reposição subiram no país. 

 Para o boi gordo, espera-se uma lacuna na oferta para abate até a chegada dos primeiros lotes de animais confinados do primeiro giro, em julho/agosto. Com isso, a expectativa é de um viés de alta para o boi gordo nos próximos meses (entressafra). 

 No mercado de reposição, a procura maior nesse momento tem sido por animais mais erados (garrote e boi magro), principalmente nas regiões de confinamento. Destacamos que as altas nos preços futuros da arroba do boi gordo na B3 têm aumentado a atratividade da engorda no cocho, ainda com os atuais patamares de preços dos alimentos concentrados e boi magro. A expectativa é de preços firmes para a categoria. 

 De maneira mais ampla, o cenário é de demanda firme e oferta restrita no mercado de reposição, o que tende a manter a sustentação também dos preços dos animais menos erados em curto e médio prazos (2021/22).  

 Ou seja, os frutos dos investimentos feitos na cria hoje serão colhidos ainda em um ambiente de patamares mais elevados de preços de venda. 

 Para o longo prazo, é importante considerar, no entanto, que em determinado momento, essa retenção maior de fêmeas tende a refletir em aumento na oferta de bezerros e, consequentemente, poderá pressionar negativamente os preços dessas categorias, dando início à fase de baixa de preços no mercado do boi. 

 No próximo artigo, detalharemos essa relação entre os abates de fêmeas e os preços da arroba do boi gordo, trazendo as expectativas com relação à virada do ciclo pecuário. 

 

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