Gestão na Pecuária

Por Antonio Chaker El-Menari Neto - Instituto Inttegra


O que as fazendas de cria mais lucrativas têm em comum?

Peões a cavalo conduzem lote de bezerros Nelore pelo pasto

Nós olhamos “o que e como os outros fazem” e procuramos fazer melhor, assim ganhamos tempo e economizamos dinheiro! Esta frase, que foi dita por um de nossos primeiros clientes ainda nos idos de 2002, nos incentivou a observar e registar com profundidade o que as fazendas mais lucrativas têm em comum. A partir deste momento, grande parte do nosso trabalho foi buscar compreender quais são os fatores que mais impactam o resultado de uma operação agropecuária e como potencializá-los. Nesta jornada, estudamos com profundidade algumas centenas de fazendas e reunimos evidências claras do que realmente importa.

Antes de apresentar os pontos que fazem diferença no resultado, gostaria de compartilhar aquilo que muitos entendem como decisivos, mas que não foi determinante para o lucro. Localização da fazenda, tamanho da área, precipitação pluviométrica, qualidade do solo e valor de venda, sozinhos não determinaram o êxito financeiro. Não significa que estes fatores sejam irrelevantes, mas que eles, por si só, não posicionam a fazenda como Top 30% rentável. No artigo anterior (acesse aqui), abordamos esse potencial da cria.

Quando falamos sobre o que as fazendas mais rentáveis têm em comum, precisamos organizar as iniciativas em duas grandes áreas: processos e pessoas. Os processos definem onde as fazendas concentram a sua atenção, a forma com que as atividades são feitas e como os recursos são utilizados. Já as pessoas, estabelecem a cultura e valores da fazenda, bem como a sua estrutura gerencial. Vamos tratar dos dois temas a seguir.

Se uma fazenda de cria tivesse que escolher apenas uma única métrica, sem dúvida nenhuma seria quilos de bezerro desmamado por matriz exposta.  Este indicador leva em consideração a fertilidade, a perda pré-parto, mortalidade de bezerro, taxa de desmame e peso ao desmame. Em última análise, ele representa, com grande profundidade, o desempenho técnico da cria. É um indicador que apresenta elevada correlação com o resultado econômico. As fazendas de cria que tiveram prejuízo na última safra produziram 129 kg de bezerros, enquanto a média, 138 kg e, as mais lucrativas, 164 kg/matriz/ano.  A produção das mais rentáveis é consequência de uma taxa de desmame superior a 75%, com peso médio ao desmame maior que 215 kg, em uma lotação de 1,38 UA/ha ou mais. Se a uma fazenda de cria quer ser referência em lucratividade, essas referências são a base.

Para que os resultados acima descritos sejam conquistados, alguns processos são determinantes e, é justamente neste ponto, que as fazendas se assemelham. As propriedades mais lucrativas sempre têm definida qual a meta reprodutiva para cada categoria. Em sua totalidade, estas fazendas utilizam de estratégias genéticas, reprodutivas, sanitárias e nutricionais específicas e diferenciadas para as 4 categorias em reprodução: novilhas precoces (12 a 14 meses de idade), novilhas tardias (24 meses), primíparas e pluríparas (vacas).

O ciclo da cria, que vai do nascimento das bezerras até ela desmamar seu primeiro bezerro, pode durar entre 30 e 46 meses, variando de acordo com a idade ao primeiro parto (na pecuária profissional, ocorre próximo aos 24 meses de idade). A genética, nutrição e sanidade vão definir se a novilha entrará em monta com 14, 24 ou 30 meses. Esperamos que seja aos 14 meses. Mesmo que todas as fêmeas não sejam precoces, se uma proporção entrar nesta idade e tiver êxito, já é o início de uma jornada transformadora. Lembro aqui que primeiro devo colocar o gene da precocidade no rebanho para depois expressá-lo com a nutrição. O caminho inverso é caro e ineficiente. Independente da fase tecnológica em que a fazenda se encontra, a meta é ter novilhas com peso ideal para entrar em monta. Cansamos de ver lotes sendo apartados para monta em outubro e, “surpresa”, apenas 50% das novilhas tinham o peso ideal. Outubro já é tarde para saber disto, já que o acompanhamento do peso e correções nutricionais deveriam ocorrer desde o desmame, com a adoção das pesagens trimestrais, medida unânime nas fazendas de maior desempenho.

Na jornada da cria de referência, alguns marcos precisam ser destacados, desde a “inserção” bem-sucedida de um gene melhorador no rebanho (prenhez maior que 83%) até o desmame do bezerro superior. Do ponto de vista genético, podemos perceber se existe melhoramento com uma pergunta muito simples: as novilhas da próxima monta são muito melhores que as vacas de 4 anos? Se sim, estamos evoluindo! Ser melhor é ser mais precoce, com maior potencial reprodutivo, maior habilidade materna, conformação moderna, musculosidade e outros. As filhas devem ser melhores que as mães e ponto final. Para que consigamos tal avanço, a inseminação artificial em larga escala é determinante e apenas com a IATF isso é possível. Além disto, touros melhoradores provados são obrigatórios.

Após a conquista da fertilidade, as melhores fazendas garantem que os nascimentos ocorram em mais de 95% das matrizes prenhes (perda pré-parto máxima de 5%). Estratégias de manejo e cuidado sanitário que evitem a perda pré-parto, como vacinas contra leptospirose, IBR, BVD e outras que possam ameaçar o nascimento do bezerro são adotadas. Durante este período (a gestação), é provado o efeito da programação fetal, que indica o quanto a qualidade da dieta da mãe interfere em vários parâmetros de desenvolvimento do bezerro pós-parto, como peso ao desmame, marmoreio, fertilidade e outros. Garantindo todos estes elementos antes do bezerro nascer, vem o famoso e relevante manejo de maternidade, o “super poder” que toda fazenda de cria deveria ter. O bezerro deve mamar o colostro em tempo certo, o materneiro efetuar a identificação, a cura de umbigo adequada e a vermifugação de proteção. Esses passos são chave para o desenvolvimento do animal. A jornada pós nascimento segue com o protocolo sanitário dos quatro meses quando vacinas (em destaque a brucelose) e vermífugo são aplicados. Seguimos os cuidados até o desmame com mais uma importante rodada sanitária.

Em termos de desempenho reprodutivo, um ponto é unânime: o êxito da fertilidade tem alta correlação com o ganho de escore de condição corporal durante a estação de monta. Parir bem e conceber novamente antes da perda demasiada da condição corporal é a meta. Período de monta curto, um programa adequado de suplementação e prontidão às iniciativas reprodutivas são a base para tal. O protocolo nutricional é formado pelas estratégias de águas e secas e, mais uma vez, precisamos lembrar que as quatro categorias em reprodução apresentam diferentes níveis de exigências, que devem ser atendidos. Quem ainda acredita que não vale a pena tratar as matrizes nas secas certamente está longe de colher a oportunidade de produzir mais de 1,5 bezerro/ha/ano.

Colocados os principais processos das fazendas mais lucrativas, encontramos outro tipo de elemento em comum: uma equipe que faz! A forma com que a liderança e as pessoas se comportam definem o êxito. Estas propriedades têm um líder com visão clara sobre o que indicará o sucesso na safra, são profissionais com autonomia de trabalho e cumpridores de orçamento (na cria, gastar no máximo 65% do que fatura). A equipe de campo é reconhecida pelo seu desempenho, periodicamente treinada (com isso tem grande domínio de seu ofício) e garante, com excelência, a execução do cronograma semanal de atividades.

Valores como foco no resultado, melhoria contínua, asseio, respeito às pessoas, aos animais e ao planeta estão presentes nas melhores propriedades de cria. Estas fazendas renovam seu sonho grande a cada estação de monta e inspiram pessoas a buscar sempre mais.

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