Bem-Estar na Pecuária

Por Adriano Gomes Pascoa - BEA Consultoria e Treinamento


CHEGADO O MOMENTO DO PARTO, ESTAREMOS PREPARADOS?

Vaca higienizando seu bezerro recém nascido com lambidas no rosto, sobre um pasto verde.

A estação de parição chegou! E o que foi realizado na preparação para esse período crítico às vacas e aos recém-nascidos? Nos artigos anteriores, mostramos a importância de um planejamento que leve em consideração as particularidades de cada propriedade, ao mesmo tempo em que busca abranger todo o repertório de comportamento dos animais. 

Neste artigo iremos descrever os métodos que podemos utilizar para nos prepararmos para o momento do parto. Mostraremos também que um programa de Manejo Racional e Bem-estar Animal (MR.BEA) nunca se fez tão necessário quanto nessa fase em uma fazenda de cria. 

  • Principais razões de mortes de bezerros
  • Técnicas de antecipação de problemas
  • Como montar um procedimento operacional padrão (POP)


 PRINCIPAIS RAZÕES DE MORTES DE BEZERROS

 Segundo dois pesquisadores americanos (Bourdon & Golden, 2002), a mortalidade de bezerros representa, em termos financeiros, a principal origem das perdas em uma fazenda de cria e, em um levantamento que fizemos para o Ministério da Agricultura (Pascoa, 2021), esse valor chega a 40% de todas as perdas ocorridas nesse ambiente. Portanto, precisamos planejar essa etapa com muito cuidado e com o conhecimento necessário da demanda desses animais. Como proceder, então?

Vamos à análise dos problemas: por que bezerros morrem? As 3 origens principais são doenças reprodutivas, falhas de mamada do Colostro e a Cura do Umbigo mal realizada. 

Doenças Reprodutivas

São aquelas que afetam o desempenho e o vigor dos bezerros. E aqui esperamos que as vacas já tenham sido imunizadas no momento oportuno de cada vacina. 

Falhas de Mamada do Colostro

Essas falhas, no momento correto, vão afetar o desenvolvimento do seu sistema imunológico.

Cura do Umbigo Mal Realizada

A cura do umbigo mal realizada é uma porta de entrada para diversos microrganismos/patógenos causadores de infecções e que aumentam exponencialmente os riscos de mortalidade.


 TÉCNICAS DE ANTECIPAÇÃO DE PROBLEMAS 

Em um programa MR.BEA, o passo importante é nos anteciparmos aos problemas. Vamos imaginar, com antecedência, quais deles podem ocorrer. E podemos fazer isso de duas formas: com o uso de um POP (Procedimento Operacional Padrão) ou com um Fluxograma (desenho esquemático que apresente as diversas situações possíveis). Comecemos pela segunda.


Antecipação de Problemas por Fluxograma

Um fluxograma irá descrever todas as possibilidades envolvidas em um dado processo (em formato de pergunta) e as derivações que podem surgir (sendo aqui as respostas). Vejamos, como exemplo, o momento do parto. Um parto normal tem duração entre 30 minutos e 4 horas, portanto, partos acima disso, podem ser considerados irregulares. 

Então, no primeiro nível do fluxograma, a pergunta a ser realizada é: “o parto está regular/normal?”. Se a resposta a essa pergunta for “sim”, passamos ao segundo nível, que pode ser, por exemplo: “o bezerro mamou o colostro no tempo correto?”. E, para não deixarmos a pergunta sem resposta, o ideal é que, em 6 horas após o parto, ele tenha ingerido uma boa quantidade. Mas, se a resposta ao primeiro nível for “não”, percebam que não faz muito sentido descermos ao próximo nível. 

Nesse caso, uma medida imediata deve ser tomada para salvar a vida do bezerro e, muitas vezes, da própria mãe. Podemos sugerir, em caso de resposta negativa, por exemplo, que seja oferecida uma assistência veterinária. E, assim, vamos completando todos os níveis do fluxograma até que o processo “parto” tenha se esgotado, com vaca e bezerros sãos e salvos!


Antecipação de Problemas com POP (Procedimento Operacional Padrão) 

Esse mesmo exercício pode ser realizado com a utilização de um POP. A diferença, nesse caso, é o nível de detalhamento maior e, até por isso, considero que os dois sejam complementares, sendo o fluxograma de fácil visualização e compreensão e o POP para que dúvidas referentes ao método sejam totalmente sanadas.  Tomemos o mesmo exemplo: constam de um Procedimento Operacional Padrão, dados como data e versão da sua confecção, bem como a identificações do(s) elaborador(es), verificador(es) e todos os que o aprovaram. 

 É muito importante que as pessoas responsáveis pela execução do POP, como os vaqueiros e técnicos, participem da sua elaboração, dando contribuição às dificuldades e desafios que irão enfrentar e sugestões para a solução dos problemas. A eficiência da utilização dessa ferramenta depende, em grande parte, da participação de todos. Outros itens que fazem parte desse documento são: descrição do procedimento, materiais que podem ser necessários e conduta. 

COMO MONTAR UM PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO (POP)

Observem como esse documento (POP) poderia ser montando, no momento do parto:

Descrição

Acompanhamento do processo de parto, desde a mudança comportamental da vaca, quando ela se afasta do rebanho (entre 4 e 24 horas antes do parto), acompanhando a mamada ideal de colostro (6 horas após o parto), momento em que a placenta é expelida (entre 4 e 5 horas, não devendo passar de 24 horas) até o momento em que o bezerro tem o seu umbigo curado.

Materiais

Caderneta de anotações, mamadeira, laço, colostro de boa qualidade do banco de colostro, iodo a 10%, aplicador de iodo sem retorno (caneco de pré-dipping), medicamentos (aqui é importante uma lista e indicação de cada um deles).

Conduta

Tenha sempre um responsável pela maternidade (materneiro), que deve acompanhar os animais ao menos em três oportunidades (no início, no meio e no final do dia). 

Esse colaborador deve ter como características: a paciência e o cuidado com os animais, deve sempre anotar a identificação de cada um deles, o horário do início do parto, dificuldades no parto, baixa habilidade materna, baixo vigor do bezerro, as possíveis falhas na primeira mamada, horário do parto e horário da mamada, trocas de bezerros, condições climáticas (se são severas, como temperatura e umidade do ar muito baixas ou muito altas), condições desfavoráveis no local do parto (buracos, lama, etc).

Muitas outras informações podem ser inseridas na conduta a ser realizada pelo responsável, de forma a detalhar esses procedimentos, que serão descritas, de forma didática, no próximo artigo.

O importante é sabermos sempre o que fazer com antecedência em casos desafiadores, seja utilizando um fluxograma, mais visual e, portanto, de fácil entendimento por todos os colaboradores, seja fazendo uso de POP, que é mais detalhado e prontamente disponível para sanar todas as dúvidas. Assim, não desperdiçamos um tempo precioso, que pode ser o diferencial entre a sobrevivência ou a morte dos bezerros e, como consequência, também a nossa sobrevivência e evolução na atividade de cria.


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